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19/08/2018

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Alceu Amaral - Literatura e Cultura

Alceu Amaral da Silva é natural de Pelotas-RS, formado em Letras. Professor, Pós-graduando em Educação de Jovens e Adultos pela FURG. Funcionário público, escritor amador, ativista Cultural. Administrador do Festival Rock e Poesia em Camaquã, Coautor do Livro Eclipses e Elipses e Destilando Poesias e contos no Blog Mouroblog.com .

Camaquense é indicado ao maior prêmio de Cultura do RS

14/03/2018 | 19h14
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A cultura advém de nosso interior, além da visão ou da audição do corpo como instrumento de nossa voz mais recôndita, a dança que é a expressão máxima do corpo tem pouca expressividade em nossa Camaquã, por isso queria divulgar não só esta arte, como o talento de um de nossos irmãos em artes Andrew Tassinari. Não por acaso este mesmo foi indicado ao maior prêmio de arte cultura do Rio Grande o Açorianos.

Indicado para o Prêmio Açorianos de Teatro na categoria Melhor Ator pela peça PRATA PARAÍSO com Direção do João de Ricardo entrei em contato com Andrew para contar esta grata novidade.

Alceu - Como foi receber a notícia da indicação ao Açorianos?

Andrew -“Foi uma grande surpresa pois esse foi meu primeiro trabalho de Teatro e eu realmente não esperava ser indicado sendo que estou concorrendo com artistas que tem uma trajetória como ator muito maior que a minha como por exemplo o João Carlos Castanha que é uma grande personalidade das artes cênicas de Porto Alegre. Estou imensamente feliz e apenas a indicação ao prêmio já é uma conquista e um grande reconhecimento do meu trabalho enquanto artista.

Alceu - Como tu vês a arte no RS no Brasil?

Andrew –“A cena artística no RS aumenta cada dia mais, com profissionais qualificados, porém a situação política é complicada pois os artistas estão perdendo os espaços de trabalho e verbas que o governo já investiu mais. Hoje é triste ver teatros e outros espaços públicos fechados assim como projetos de editais que não foram pagos também pois é o mínimo que as pessoas precisam para sobreviver trabalhando com arte no Brasil. Os governos públicos deveriam investir muito mais na cultura para garantir uma vida digna ao artista. Eu tive ótimas oportunidades em Porto Alegre e fui muito feliz durante dez anos que morei na capital gaúcha. Trabalhei em 3 companhias profissionais de Dança e uma de Teatro nas quais me renderam uma grande experiência como artista do corpo além de outros eventos/performances relacionados à moda e à cena Queer da cidade.”

Alceu - Tu estás em SP certo, o que te levou a mudar de cidade?

Andrew –“Decidi morar em São Paulo para dar continuidade à minha vida artística, investir mais em outras possibilidades além da dança. Hoje, apesar da minha formação ser em Dança, me enxergo não apenas como um bailarino de Dança Contemporânea, e sim como artista! Pretendo investir numa formação de ator também. Quero seguir um caminho artístico que permeie entre a Dança-Teatro, o Teatro-Físico e à Performance.

A ideia é ficar um tempo em São Paulo pois eu me identifico muito com a cidade pela qual eu visito com certa assiduidade desde 2013 mas depois pretendo sair do país e continuar trabalhando com arte em outros lugares do mundo.

Essa mudança é para eu me capacitar cada vez mais e descobrir outras linguagens do corpo, trabalhar com outros diretores e me permitir fazendo outras artes afinal, um artista tem que se reinventar o tempo todo, estudando e estando numa constante formação!”

Alceu - Por fim desejo sorte e muita arte para ti. Obrigado.

Vencedores do Açorianos serão conhecidos no dia 24 de março de 2018 no Teatro Renascença.

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Tempo, Ariadne e Legião Urbana

12/02/2018 | 12h59
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Procuramos o Fio de Ariadne, a resolução de um problema que nós move de um lugar ao outro sem que saibamos que movemos mais que nossa consciência.

A lenda de Ariadne é o termo usado para descrever a resolução de um problema por meio do óbvio e do lógico. Essa fórmula que usamos muitas vezes anonimamente me veio quando percebi minha impotência perante a altivez do tempo.

Vejo o tempo como a fé, algo que acredito existir, mas não consigo tocar ou tatear, sim quando penso no tempo esqueço meus cabelos brancos, as primeiras rugas, calos ou objetos datados, são nas memórias voláteis que vão e vem que sinto o pisar dos anos na fértil areia de meus pensamentos.

Lá é que sons ganham formas e andam, os aromas falam, e as imagens abraça-me, de forma que pauso o viver corrido e pouco reflexivo, para lembrar e repetir sensações.

Por exemplo. Ao passear pela Praça Zeca Netto em uma ensolarada tarde de domingo, flagrei um grupo jovem tocando violão sob a cumplice sobra das árvores, além da raridade da união em tempos de smartphones, o que me chamou a atenção que o grupo era religioso, e que a música que tocavam a tempos atrás jamais seria permitida em tal grupo, pois era marginal e contestadora de mais Era uma música da Legião Urbana. Quem a mudou? Quem a transportou das margens de um Rock ousado para o centro de um grupo ancorado em tradições que a rejeitavam antes? Em minha humilde tentativa de resolver a questão respondo. Nossa lida com o Tempo.

Ora os valores de nossa sociedade continuam existindo, mas o que fazemos com eles é que muda, não foi o tempo que mudou, mas sim nós, o tempo independe de nossas atitudes, preocupações ou ações. Por pior ou melhor que seja a música continua falando a mesmas coisas as tradições também, o que muda é a luz que damos para estes vestígios que deixamos para outras gerações.

O de baixo sobe e de cima desce sem que possamos ficar nesta terra para testemunhar, por isso escrevemos, pintamos registramos, fotografamos, como se o tempo fosse um inimigo a ser abatido, então o desfiamos com estes artifícios tão catárticos.

Porém vejo o tempo com balsamo para as feridas de nossos erros, sejam individuais ou coletivos, pense em uma reconciliação, nos avanços da ciência e da medicina, se pensarmos que a poucos anos pessoas morriam por doenças hoje ridículas saberemos ver o tempo como aliado, e não como algoz.

Conhecendo o mito de Ariadne onde seu fio conduziu seu amado Teseu por um labirinto é possível entender que nossas escolhas é que qualificam nosso tempo e o que fazemos com ele, mas renega-lo a ponto de a surpresa ser o aríete de uma crise existencial não é o melhor.

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Ócio para todo ano?

18/01/2018 | 07h28
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No redomão dos dias modernos o ato de parar tem se tornado uma ação em extinção. Sim parar, estar em repouso, sem fazer nada, deixar a mente e o corpo divagar ao sabor do tempo que se esvai inclemente.

O contrário é a sonora roda dos compromissos, das obrigações, dos problemas que insistem em bater em nossa porta, de forma acintosa.

Uns chamam de correria do dia a dia, eu prefiro algo mais subjetivo, a incansável roda da vida. Que não para, só dá uma pausa sob o mando do sono, e como andamos dormindo pouco, são tantas séries para ver, tantas curtidas em nossos celulares...

Deparei-me sentado navegando, sobre ideias e pensamentos com uma revista na mão em meu pátio. Neste período de férias, ambiente natural deste ócio, indignei-me, mas meu choque se deve justamente por ter durante o ano muitas atividades, não reclamo, acredito que compactar os espaços na vida é saudável, mas começo a repensar e ser mais seletivo aos meus afazeres, para poder aproveitar melhor os momentos e família por exemplo só vi tudo isso por causa do ócio.

Falando em ócio, mas o que é isso? Este bicho quase erradicado de nossas vidas ocidentais? Vou mais longe, quero chegar ao nível do famoso ócio criativo. O Que? Ócio criativo é uma ideia inovadora desenvolvida pelo professor e sociólogo italiano Domenico de Masi. Segundo ele, o futuro do trabalho na sociedade pós-industrial está marcado pela união entre estudo e lazer.

Então penso que devemos estender mais estes momentos para qualificar nosso caminhar, não o ócio alienante, que nos faz sentir vazios e inúteis, mas sim um tempo só nosso que aduba as ideias e os reflexos do que estamos a viver, uma pausa para pensar no que fazemos muitas vezes sem pensar.

Tornar o obrigatório uma conveniência fatiada durante o ano pode ser uma maneira de produzir mais e melhor em nome de nós mesmos de forma saudável e crítica.

Salve o ócio.

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Pessoas e o fim de ano

23/12/2017 | 17h54
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Mais uma vez é fim de ano e como um tombo cai nesta época, estou aqui folhando o calendário e regredindo como me comportei diante das marés da vida neste 2017.

Completei quarenta anos, troquei de escola, sonho histórico, tive conquistas automobilísticas, Completei quarenta anos, fiz cursos de aperfeiçoamento profissional, curti cada momento possível com meu filho, completei quarenta anos, conheci pessoal novas, outras perdi para aquilo que chamamos de morte, e completei quarenta anos.

Mas definitivamente conhecer pessoas novas é algo que me salta aos olhos. Por exemplo, seu Fortunato sempre o encontrava correndo, pois saía de um trabalho para o outro esbaforindo-se, mal conversamos mas foi o suficiente para formar um conhecimento, seu Fortunato trabalha muito não tinha tempo para fazer amigos.

Meu chapa Valentino, dou muitas risadas com ele, vivaz, faceiro sempre pronto para conversar, desde que alguma coisa não o despertasse para opiniões relacionadas direta ou indiretamente com política, pois para ele tinha que matar tudo e entregar para os militares, por exemplo, um dia falamos sobre as exposições de arte polêmicas em Porto Alegre:

_ Que cambada de vagabundo! Tem que matar tudo. Não adiantou argumentar.

Quanto a uma reportagem sobre um cantor de funk. _ Que tem que matar!

Quanto a uns políticos envolvidos em escândalos. _ Que tem que matar!

Conheço-o tão bem que já sei em que ele vai votar em 2018.

Conheci também Fidelcina, colega de educação, que confesso me surpreendeu.

Comentou sobre uma possível opção sexual de um aluno e agregou a seu comentário a palavra coitado. Perguntei o porquê do adjetivo inglório.

Respondeu-me com nojo seguido de dogmas religiosos, eu retruquei que almejo muita felicidade ao menino. Fidelcina decretou o fim de uma aproximação mais profunda comigo.

Luiz Ignácio nossa um cara perdido, confuso em dias nublados, alvissareiro e esperançoso em um mundo possível com a volta de seu grande ídolo, o Lula, em dia de sol macambúzio, pois se considerava um exquerda.

Assim conheci pessoas e suas diversidades, é interessante, pois por meio delas fico me conhecendo mais um pouco, porque acredito que somos o espelho uns dos outros, e que temos que valorizar a vida, o outro, a amizade e a tolerância. É isso que desejo a estes e outros amigos que tenho pelo mundo.

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Conto a literatura conectada

01/12/2017 | 08h32
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Em tempos de conectividade intermitente e unanime a literatura também está antenada com o ritmo dos leitores contemporâneos, e o Gênero Literário Conto e seu rebento o Miniconto se destacam pela rapidez de sua leitura.

Primeiro devemos recordar o que é Conto.

O conto é um texto narrativo do gênero literário. Ele tem o foco em um fato ou um determinado acontecimento, geralmente uma ficção, ou seja, é uma história inventada, ou fantasiosa ou um curto recorte do dia a dia. Porém mesmo sendo pequeno, ele possui um enredo completo, e até um clímax, que é o momento mais importante da história.

Os contos tiveram início há muitos séculos atrás. Era feito de forma oral, naquela época não havia escrita. Os gregos e romanos costumavam contar os contos para a população nas noites de luar, os contos da época eram as antigas lendas orientais, algumas parábolas bíblicas, e com o passar dos tempos vieram as novelas medievais italianas, as fábulas francesas de Esopo e La Fontaine, até chegar aos livros, que é a forma mais comum de conhecermos os contos.

Com a evolução do tempo os contos passaram a receber várias classificações e divididos em categorias referentes ao gênero como: contos maravilhosos, de amor, ficção, policiais, de terror, mistério e etc.

O Miniconto, microconto ou nanoconto, é uma espécie de conto muito pequeno, produção esta que tem sido associada a contemporaneidade. Fica evidente que as características do que chamamos de miniconto são diferentes das de um Conto. No miniconto muito mais importante que mostrar é sugerir, deixando ao leitor a tarefa de "preencher" as elipses narrativas e entender a história por trás da história escrita.

O guatemalteco Augusto Monterroso é apontado como autor do mais famoso miniconto, escrito com apenas trinta e sete letras:

Quando acordou o dinossauro ainda estava lá.

Assim como o estadunidense Ernest Hemingway é autor de outro famoso miniconto. Com apenas vinte e seis letras, mas por trás das quais há toda uma história de tragédia familiar:

Vende-se: sapatos de bebê, sem uso.

Eu me identifico com esta velocidade na escrita e na riqueza do que as palavras não dizem ao falarem muito e me aventuro em busca do Miniconto perfeito acompanhe.

Fim de Jogo

Nino gostava de jogar bola, nunca perdera, mas quando a bola caiu no pátio da dona Alzira, teve sua primeira derrota.

Dissabor

Mascava, mascava, mascava um chiclete. Sabor: Sua vida.

Para conhecer outros contos acesse http://mouroblog.blogspot.com.br/

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