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23/09/2018

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Alceu Amaral - Literatura e Cultura

Alceu Amaral da Silva é natural de Pelotas-RS, formado em Letras. Professor, Pós-graduando em Educação de Jovens e Adultos pela FURG. Funcionário público, escritor amador, ativista Cultural. Administrador do Festival Rock e Poesia em Camaquã, Coautor do Livro Eclipses e Elipses e Destilando Poesias e contos no Blog Mouroblog.com .

Arte pela arte?

18/08/2018 | 10h03
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Querendo ouvir uma música da Legião Urbana,que se esvoaçava de minha memória, fui em busca da mesma no YouTube, depois de regozijar-me corri os olhos nos comentários. Um me cativou a atenção e se referia ao finado Renato Russo, ressaltando e elogiando sua liberdade criativa em não se preocupar em escrever versos deste tipo. “Veja bem quem eu sou Com teu amor eu quero que sintas dor Eu quero ver-te em sangue e ser teu credor Veja bem quem eu sou.”

Desta constatação me irmanei para refletir. Onde esta a imparcialidade e a liberdade da arte contemporânea?

Em termos de música o que escuto por ai é um popularesco, que não fala nada que não seja palatável, assim sendo, escravos de um mercado líquido e superficial, uma música matemática, pois repete a mesma fórmula só alternando os enunciadores, digo cantores, duplas e outros voláteis. Não sejamos néscios, o dinheiro envolvido é um ótimo grilhão para estes artistas.

Nas artes plásticas, o cerceamento até não se dá pela inventividade, mas por uma necessidade vociferante de chocar os desavisados, ou melhor, não educados a evolução da arte contemporânea. Uma das funções da arte é sim contestar a rotina da vida, mas também tem uma função ambiental, que está baseada na alfabetização estética, ou em ensinar o homem a organizar formas, luzes e cores, garantindo equilíbrio e harmonia à sua vida e corpo. Isto pode ser simples.

Ilustrar o pictórico do cotidiano perdeu o valor? Penso que as elites incentivada por leis federais, curadas por outras elites ainda mais distantes do homem médio têm sua parte neste indigesto bolo.

A ditadura da arte está justamente em uma concorrência para ver quem é mais escalafabético, estrambótico, tanto na obra em si quanto em suas bases políticas, ora, a busca insana pela própria contestação também deve ser questionada.

Questiono a arte pela arte, digo que ela poderia flertar com o povo, palavra difícil que tem um histórico de censura, mas que reuni em sim o alvo de tudo.

Nas artes cênicas seria somente a comédia o sumo de nossa produção?

Na literatura. Onde ela está? Foi soterrada pelos livros de autoajuda, ou secundarizada pelos youtubers que viraram escritores? Claro que devemos dar um desconto nesta área, pois nunca fomos grandes leitores nem quantitativamente nem qualificadamente. Mas já nas letras, vejo um censo de mediocridade que prende os voadores das palavras gavetas. É preciso ter corajem para escrever e lançar.

Meu objetivo é didaticamente chegar mais perto do cidadão comum, saber que nosso povo não é educado para interpretar as múltiplas faces da arte, e logo achar outros rumos para a arte.

Assim sendo, obras de arte têm funções distintas, dentro dos contextos diferentes em que estão inseridas. Ela expressa os sentimentos do artista e a maneira particular com que percebem o meio à sua volta, será?

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Conheça mais sobre a banda camaquense Breaking Rock

29/07/2018 | 15h03
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Este espaço tem como objetivo divulgar e promover cultura, de uma forma leve e despojada, e mostrar os valores locais, seu artistas, artesãos, músicos e agentes de cultura é uma via que vou explorar. E para dar início, que tal conhecermos uma banda que vem galgando espaço no cenário local de Camaquã. A Breaking Rock.

Blog do Juares: Como vocês definem o estilo musical que a banda emprega?

Breaking Rock: Classic Rock

BJ: Qual o momento mais gratificante artisticamente que vocês vivenciaram?

BR: Tocar no SESC foi uma experiência muito interessante, a casa é completa, equipamentos de ponta, bom atendimento/tratamento por parte de todos os envolvidos, então sem dúvida tocar lá foi bem importante.

BJ: Como vocês veem a cena musical e artística em Camaquã?

BR: Acho que de certa forma está melhorando, e até de maneira mais sólida por que parece que hoje a galera se mistura mais, e é comum ver um músico em mais de uma banda, ou "projeto", e assim vai nascendo boas formações, boas músicas, boas bandas,
etc.

BJ: Como vocês veem a cena musical e artística no Brasil?

BR: Hoje é fácil encontrar bandas de alto nível procurando na internet, tem gente grande no Brasil, referências. Mas os grandes eventos estão pecando com a música mais autoral, que envolva músicos no palco, qualidade técnica, emoção e dando espaços
para músicos montados para ganhar dinheiro. Estão colocando músicos por causa de um "hit", como o Rock In Rio por exemplo, lá sim tinha cena de música forte.

BJ: Qual as influências musicais da banda?

BR: A banda é muito diversificada nesse sentido, claro quo o "rock" é a base, o que difere são os sub-gêneros, porém é de todos
O Rock clássico. Mas tem punk, blues, funk, etc.

BJ: Como a banda vê a situação atual do país?

BR: É uma resposta óbvia, infelizmente. Só que é dever de cada um também se esforçar mais pra algo acontecer, só aceitar essa resposta não dá. Mas como um todo vai mal, e esta campanha próxima não estima qualquer esperança, e infelizmente tudo se
resume a política.

A banda é formada por: Giordano Santos - Baixo | Bruno Szortyka - Bateria | João Katczinski - Guitarra | Ricardo Spencer - Vocal/violão.

Contatos: https://www.facebook.com/pg/breakingrock/about/?ref=page_internal .

(51) 99537-5580.

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Brasis

26/05/2018 | 23h54
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Em tempos bicudos como o que enfrentamos, nós da cultura e ensino temos alguns deveres com nossos pares, um deles é repassar conhecimento, e fazer uma análise imparcial das abundantes informações que nos chegam é uma arma essencial, para isso analisar os discursos é essencial .

Lembro-me de uma grande mestre que tive na Faculdade de Letras a senhora Maria Morales Hernandéz Dias que dizia, “ Não há discurso ingênuo meu alunos”. Ela se referia que ninguém escreve ou fala sem uma intenção por trás de suas linhas, o locutor insere suas ideias em suas palavras, fluindo positivamente ou negativamente ao sabor de suas ideologias.

Saber distinguir estas cores nesta grande obra abstrata que se tornou a mídia nacional é uma arte.

A análise do discurso é um forte aliado para decodificar ideologias escondidas nas entrelinhas, não serei muito teórico, mas Análise de Discursos é uma ciência que consiste em analisar a estrutura de um texto e, a partir disto, compreender as construções ideológicas presentes no mesmo. E discurso é a construção linguística junto ao contexto social onde o texto se desenvolve. Ou seja, as ideologias em um discurso são diretamente construídas e influenciadas pelo contexto político-social em que o seu autor está inserido.

Muito tem se falado da forma tendenciosa dos meios de comunicação, mas devemos ficar atentos e críticos a o emaranhado numeroso destas informações. Claro que quanto mais cultura e educação mais fácil temos o desvelamento da verdade.

Tudo na vida é dual e o Brasil não difere desta verdade perene. Temos o que defende e o que acusa, o que se revela e o que se vela, o pobre e o rico, o vermelho e o amarelo, desvendar os dois lados dos fatos é tarefa fundamental para a construção de um bom cidadão.

Lembro de uma música do múltiplo artista Seu Jorge que profetiza:

Tem um Brasil que é lindo
Outro que fede
O Brasil que dá
É igualzinho ao que pede..
Tem um Brasil que soca
Outro que apanha
Um Brasil que saca
Outro que chuta
Perde, ganha
Sobe, desce
Vai à luta bate bola
Porém não vai à escola...

Ouso dizer que se investimentos em educação e cultura fossem um commodities tão importante como café, açúcar, soja, trigo, petróleo, ouro hoje teríamos uma discussão acima do básico como vemos nesta tela quase surreal que é o Brasil.

Por fim afirmo que não tenho aqui tendência política partidária, meu partido é repartido com os amantes das artes e da cultura.

A música citada pode ser encontrada aqui: https://www.youtube.com/watch?v=RLuVJqRBvco

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Um fim de semana

01/05/2018 | 14h22
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Tenho por costume não ser atual em minhas colunas, ser mais profundo que os acontecimentos e deixar que o tempo se incube de perpetuar os procederes e os acontecimentos humanos. Mas um fim de semana atípico em Camaquã me alertou o crivo das ideias.

Entre os dias 20 a 22 de abril deste ano, Camaquã teve uma enxurrada de eventos dos mais diversos, mas que geraram focos e coberturas das mais díspares.

Começo. No dia 20 uma sexta, houve uma mobilização com debate sobre a duplicação da BR-116, válida, importante, urgente e oportuna. Um painel de discussão com pessoas “intendidas” sobre o assunto que trouxe muita visibilidade a cidade.

Já no domingo 22 tivemos uma 2ª Caminhada em homenagem a Ogum e São Jorge na manhã do domingo (22). A concentração ocorreu na Praça Zeca Netto, às 10h. Após realizar o rito inicial, o grupo partiu pela Avenida Olavo Moraes, rumo à Esquina Democrática.

No mesmo dia tivemos um festival de Rock nesta mesma praça, que uniu muitos jovens e a comunidade em geral para assistir música e poesia naquele espaço.

O que liga nestes eventos? Não é a cidade que os recebeu, as pessoas que o protagonizaram não é a intenção que na verdade são distintas, nem horários.

Sim eles estão ligados. Por um cordão umbilical tão frágil que muitos não o veem, ou não querem ver, me refiro a educação cultura e espiritualidade, valores que se ligam a tragédia que acontece na BR-116 de forma excludente. Por não termos as primeiras sofremos as agruras trágicas de uma duplicação procrastinada, onde a aura negra de um pais injusto a cobre.

Fica claro para mim que sem ensino de qualidade construído de mãos dadas com a cultura e aliado a sentimentos e ensinamentos espirituais dos mais altruístas, não teremos êxito em nossas demandas mais caras, e continuaremos morrendo e matando de forma exponencial.

Eu procuro não ser mais testemunha ocular da vida brasileira, exercito a minha cidadania em minha vida familiar e profissional, mas o que me rege nestes momentos é a lucidez.

Logo peço um maior discernimento dos acontecimentos que nos cercam, para não cairmos nas armadilhas do dia a dia.

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Viagens na minha terra tropical

04/04/2018 | 17h28
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Gosto de pensar a vida como um grande livro que vamos escrevendo a cada escolha e saboreando as consequências como folhas de um bom romance. Hoje alinhei meus pensamentos com o livro Viagens Na minha Terra do português ALMEIDA GARRETT, traçando um breve paralelo com nosso Brasil.

A personagem protagonista Carlos viaja por Portugal, no afã de uma busca, transmutando em elemento temático fundamental, a viagem é cerne da obra e que fica claro desde o primeiro capítulo. Por meio da viagem pelo interior do próprio país do autor-narrador, busca-se a fonte do que é ser português em um momento de impactantes mudanças no país.

Simbolicamente há um embate entre tradição (monarquismo) e modernidade (ideias liberais). Carlos também não consegue se decidir entre Joaninha (que representa o velho Portugal) e Georgina (representante do novo Portugal). O protagonista finda por desistir de ambas, arruinando sua identidade e sua moral. Carlos figura como uma representação de uma sociedade alienada e degradante.

Proporcionalmente, o Brasil vive uma seção, entre diversas fatias é verdade, o progressista contra o tradicional, o saudosista e o reformista, o armamentista e o pacifista, a esquerda e a direita, o partido X contra o Y. Como na Obra de Garrett o meio justifica fim, estas divisões impedem o brasileiro médio de então se descobrir, se enxergar e mirar em seu caminho, rumo o que lhe é melhor.

Causas são abundantes, senão vejamos. Quem leu o livro que aqui cito com mote?

Sim, sou repetitivo, ler é o alicerce para uma nação que se conhece e reconhece nos passos que a história alinha rumo ao futuro, sem leitura dançamos sem sair do lugar em um baile bufo.

Lembro que o título do livro é “Viagens” no plural, devemos viajar por nosso pais, adquirir cultura, voltar ao passado para não repetir erros, vislumbrar um futuro no coletivo e nunca no individual vide “jeitinho brasileiro”. Entender nossa miscigenação de causas e consequências.

Penso que como a obra que fica dividida entre o Romantismo e o Realismo, o Brasil está dividido, e vocifero para que busquemos a união do humano em nós, para então construir uma identidade de pais de nação.

Por fim, fica a comoção do autor diante de um passado cheio de riqueza entregue a uma sociedade vil, corrupta e materialista, bem como o seu profundo apego a tudo o que é nacional. Por sua vez a reforma que almejava tinha como objetivo consciencializar todo um povo da sua rica herança do passado e da sua grande potencialidade para o futuro. Que sejamos assim buscantes deste objetivo.

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