Blog do Juares | Literatura e Cultura com Alceu Amaral

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Literatura e Cultura com Alceu Amaral

Alceu Amaral da Silva é natural de Pelotas-RS, formado em Letras. Professor, Pós-graduando em Educação de Jovens e Adultos pela FURG. Funcionário público, escritor amador, ativista Cultural. Administrador do Festival Rock e Poesia em Camaquã, Coautor do Livro Eclipses e Elipses e Destilando Poesias e contos no Blog Mouroblog.com .

Pessoas e o fim de ano

23/12/2017 | 17h54
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Mais uma vez é fim de ano e como um tombo cai nesta época, estou aqui folhando o calendário e regredindo como me comportei diante das marés da vida neste 2017.

Completei quarenta anos, troquei de escola, sonho histórico, tive conquistas automobilísticas, Completei quarenta anos, fiz cursos de aperfeiçoamento profissional, curti cada momento possível com meu filho, completei quarenta anos, conheci pessoal novas, outras perdi para aquilo que chamamos de morte, e completei quarenta anos.

Mas definitivamente conhecer pessoas novas é algo que me salta aos olhos. Por exemplo, seu Fortunato sempre o encontrava correndo, pois saía de um trabalho para o outro esbaforindo-se, mal conversamos mas foi o suficiente para formar um conhecimento, seu Fortunato trabalha muito não tinha tempo para fazer amigos.

Meu chapa Valentino, dou muitas risadas com ele, vivaz, faceiro sempre pronto para conversar, desde que alguma coisa não o despertasse para opiniões relacionadas direta ou indiretamente com política, pois para ele tinha que matar tudo e entregar para os militares, por exemplo, um dia falamos sobre as exposições de arte polêmicas em Porto Alegre:

_ Que cambada de vagabundo! Tem que matar tudo. Não adiantou argumentar.

Quanto a uma reportagem sobre um cantor de funk. _ Que tem que matar!

Quanto a uns políticos envolvidos em escândalos. _ Que tem que matar!

Conheço-o tão bem que já sei em que ele vai votar em 2018.

Conheci também Fidelcina, colega de educação, que confesso me surpreendeu.

Comentou sobre uma possível opção sexual de um aluno e agregou a seu comentário a palavra coitado. Perguntei o porquê do adjetivo inglório.

Respondeu-me com nojo seguido de dogmas religiosos, eu retruquei que almejo muita felicidade ao menino. Fidelcina decretou o fim de uma aproximação mais profunda comigo.

Luiz Ignácio nossa um cara perdido, confuso em dias nublados, alvissareiro e esperançoso em um mundo possível com a volta de seu grande ídolo, o Lula, em dia de sol macambúzio, pois se considerava um exquerda.

Assim conheci pessoas e suas diversidades, é interessante, pois por meio delas fico me conhecendo mais um pouco, porque acredito que somos o espelho uns dos outros, e que temos que valorizar a vida, o outro, a amizade e a tolerância. É isso que desejo a estes e outros amigos que tenho pelo mundo.

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Conto a literatura conectada

01/12/2017 | 08h32
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Em tempos de conectividade intermitente e unanime a literatura também está antenada com o ritmo dos leitores contemporâneos, e o Gênero Literário Conto e seu rebento o Miniconto se destacam pela rapidez de sua leitura.

Primeiro devemos recordar o que é Conto.

O conto é um texto narrativo do gênero literário. Ele tem o foco em um fato ou um determinado acontecimento, geralmente uma ficção, ou seja, é uma história inventada, ou fantasiosa ou um curto recorte do dia a dia. Porém mesmo sendo pequeno, ele possui um enredo completo, e até um clímax, que é o momento mais importante da história.

Os contos tiveram início há muitos séculos atrás. Era feito de forma oral, naquela época não havia escrita. Os gregos e romanos costumavam contar os contos para a população nas noites de luar, os contos da época eram as antigas lendas orientais, algumas parábolas bíblicas, e com o passar dos tempos vieram as novelas medievais italianas, as fábulas francesas de Esopo e La Fontaine, até chegar aos livros, que é a forma mais comum de conhecermos os contos.

Com a evolução do tempo os contos passaram a receber várias classificações e divididos em categorias referentes ao gênero como: contos maravilhosos, de amor, ficção, policiais, de terror, mistério e etc.

O Miniconto, microconto ou nanoconto, é uma espécie de conto muito pequeno, produção esta que tem sido associada a contemporaneidade. Fica evidente que as características do que chamamos de miniconto são diferentes das de um Conto. No miniconto muito mais importante que mostrar é sugerir, deixando ao leitor a tarefa de "preencher" as elipses narrativas e entender a história por trás da história escrita.

O guatemalteco Augusto Monterroso é apontado como autor do mais famoso miniconto, escrito com apenas trinta e sete letras:

Quando acordou o dinossauro ainda estava lá.

Assim como o estadunidense Ernest Hemingway é autor de outro famoso miniconto. Com apenas vinte e seis letras, mas por trás das quais há toda uma história de tragédia familiar:

Vende-se: sapatos de bebê, sem uso.

Eu me identifico com esta velocidade na escrita e na riqueza do que as palavras não dizem ao falarem muito e me aventuro em busca do Miniconto perfeito acompanhe.

Fim de Jogo

Nino gostava de jogar bola, nunca perdera, mas quando a bola caiu no pátio da dona Alzira, teve sua primeira derrota.

Dissabor

Mascava, mascava, mascava um chiclete. Sabor: Sua vida.

Para conhecer outros contos acesse http://mouroblog.blogspot.com.br/

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Consciência e comemoração

15/11/2017 | 00h26
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m 20 de novembro comemora-se no Brasil o Dia da Consciência Negra. Mas você sabe o motivo de escolha dessa data?

Foi nesse dia, no ano de 1695, que morreu Zumbi dos Palmares. Que foi uma liderança conhecida do chamado Quilombo dos Palmares, A fama e o símbolo de resistência e força contra a escravidão mostrado pelos palmarinos fizeram com que a data da morte de Zumbi fosse escolhida para representar o Dia da Consciência Negra. A data foi estabelecida pela Lei 12.519/2011.

Penso que neste dia deveríamos refletir coletivamente sobre a importância dos erros cometidos sob a tutela do estado, mas muito mais, divago norteando a beleza e o futuro deste grande povo que foi a força matriz na construção de nosso Brasil.

Um foco importante e que me delicio em mostrar e a qualidade da literatura negra que possuímos. Cito Elisa Lucinda, Joel Rufino dos Santos, Carolina Maria de Jesus, Cruz e Sousa e Machado de Assis, sim ele era negro, dentre outros.

Antes de mostrar algumas palavras destes cernes da nossa literatura, convém explicar que alguns aqui são nossos contemporâneos e outros não versam somente sobre temas relacionados a etnia africana.

Carolina Maria de Jesus já dizia:
“A equidade é o farol do homem”
Vindo em favor de meu pensamento tenho em Joel Rufino dos Santos um porto seguro. “O pobre, o negro, ele costuma entrar no tribunal como réu. É preciso faze-lo entrar agora como criador de beleza, como artista como pensador. ”
Já Elisa Lucinda lembra que a mulher negra também pode sonhar, amar e ser plena.
“Teço um novo tecido de amor eterno
A cada olhar seu de afeto
Não ligo para nada que doeu.
Só para o que deixou de doer tenho olhos. ”
O que dizer do maior poeta de sua época, Cruz e Sousa, simbolista como poucos.
“Livre! Ser livre da matéria escrava,
Arrancar os grilhões que nos flagelam
E livre penetrar nos Dons que selam
A alma e lhe emprestam toda a etérea leva. ”
Por fim o tão famoso e estudado nos bancos escolares, Machado de Assis.
“Teus olhos são meus livros.
Que livro há aí melhor,
Em que melhor se leia
A página do amor?
Flores me são teus lábios.
Onde há mais bela flor,
Em que melhor se beba
O bálsamo do amor? ”
Mas tenho que explanar que está minguada relação não se acaba aqui, há muitos outros valorosos artistas negros não só na literatura, mas na pintura, escultura, teatro sem falar na música.
E desta forma que comemoro o 20 de novembro, alerta para meu passado de lutas, mas saborosamente feliz por saber e reconhecer tantos valores que estão ao nosso redor.

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Cultura aqui ali em qualquer lugar

06/11/2017 | 16h21
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O que é cultura? Não é uma frase simples de ser respondida ou entendida. Muitos autores se debruçaram no tema, mas uma convicção perene é quase impossível.

O francês Félix Guattari entendeu a cultura moderna em três faces: a Cultura de valor, cultura Coletiva e a de massa. Gosto destas definições não por não poder pensar em outro original, mas porque entendo nossa sociedade com um ente que se move e cada passo que deixamos nesta terra pode ser interpretado como cultura.

São manifestações artísticas, sociais, linguísticas e comportamentais de um povo ou civilização. Que montam o mapa da cultura de uma civilização, como manifestações: música, teatro, rituais religiosos, língua falada e escrita, mitos, hábitos alimentares, danças, arquitetura, invenções, pensamentos, formas de organização social, etc.

Dentro do hibridismo cultural que é o Brasil temos que destacar as influências que nos moldam e solidificam como cidadãos. Mas para que serve a cultura? Para tudo e para nada. A cultura não mata a fome, mas complementa os sabores, ela não cura doenças, mas qualifica a vida. Basta fazermos um exercício básico, com encarar nossa rotina inclemente do dia a dia sem música por exemplo?

Em termos de Camaquã acredito que ainda buscamos uma identidade, algo para chamarmos de nosso, essa busca se dá no limiar das atividades do primeiro Concelho de Políticas Culturais da Região Centro Sul o de Camaquã. E em uma época em que muitos novos valores na música e nas artes são revelados em nossa cidade.

É importante ressaltar a importância histórica de sabermos de onde viemos e para onde rumamos, em termos de cultura e civilização este detalhe é preponderante para vivenciarmos e divulgarmos o que é realmente nosso como identidade para o mundo.

Quero então deixar este espaço franquiado para todos os apaixonados, consumidores apreciadores de cultura e arte de nossa cidade, para que tenhamos mais um veículo de divulgação de nossa cultura.

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