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Lendário, The Who arrebata público em show inesquecível em Porto Alegre

27/09/2017 | 07h58 - Fonte: Correio do Povo / Fotos: Samuel Maciel
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Noite ainda teve abertura com estreia do Def Leppard na Capital

Com 53 anos de carreira e encerrando a sua primeira passagem pelo Brasil, o The Who promoveu um show inesquecível em Porto Alegre nessa terça-feira (26). As lendas do rock Pete Townshend, de 72 anos, e Roger Daltrey, 73, subiram ao palco do Anfiteatro Beira-Rio às 21h30min e durante cerca de duas horas comandaram um espetáculo que mostrou por que eles cravaram seus nomes na história da música. E por mais que os telões pedissem “mantenha a calma, aí vem o The Who”, o pedido era impossível de ser atendido e foi respondido por um uníssono “Who” da plateia. 

Ainda cheios de atitude, eles deram fim à espera de anos e anos de tantos fãs com um desfile de clássicos, começando com o enérgico “I Can’t Explain”. Para manter o clima, vieram em seguida “The Seeker” e “Who Are You”, que batizou o álbum de 1978, virou tema da série “CSI” e foi recebida com muita empolgação pelo mar de camisetas do grupo que tomou conta do Beira-Rio nesta noite. 

Pete, dizendo que não sabe falar português, comentou estar feliz pela estreia no Brasil e se desculpou pela demora para vir ao país - o primeiríssimo show em solo brasileiro foi na quinta passada, em São Paulo, e no sábado foi a vez do Rock in Rio. Ele ainda anunciou que a próxima canção seria uma das pedras fundamentais do grupo britânico: “The Kids Are Alright”, que chegou em clima dançante. Depois dela, ele provocou a galera falando que muitos não eram nascidos quando “I Can See For Miles” foi composta. Mesmo que fosse verdade, isso pareceu não importar. A trilha da década de 1960 foi cantada pelos mais jovens e os mais nem tão jovens assim igualmente, sem distinção. 

Vale notar que a música se tornou recorrente no repertório dos shows a partir do final dos anos 80, após algumas mudanças na formação. Hoje, Daltrey e Townshend são acompanhados de uma verdadeira mini-orquestra que reforça não apenas os arranjos e batidas de “I Can See For Miles”, mas aprimora, ainda mais, a sonoridade da banda ao vivo. Além de Zak Starkey (filho de Ringo Starr, na bateria) e Jon Button (baixo), completam o time Simon Townshend, (irmão de Pete e que assume a outra guitarra e o bandolim), Loren Gold e John Corey (teclados) e Frank Simes (em diversos instrumentos). 

E se a banda é lendária, suas músicas também são, como “My Generation”, um hino, não deixa mentir. Se em outros tempos ela ficava lá para o final destruidor (e aqui a palavra está em sentido literal, já que eles terminavam as apresentações quebrando seus instrumentos no palco), agora ela aparece mais no início, o que parece celebrar o já distante passado rebelde e, ao mesmo tempo, confirmar que, sim, eles envelheceram, mas, não, não perderam o status, a forma e a postura de verdadeiros gênios da música. 

Para comprovar, Daltrey ainda estica a voz e segura algumas das notas mais altas, além fazer do fio do microfone um laço por diversas vezes – em outras, aponta pra galera e chama pra cantar junto ou ainda pega sua gaita de boca. Townshend, por sua vez, segue fazendo o seu tradicional giro de braço enquanto toca, para delírio geral (e até é possível ver alguns tentando repetir o movimento de moinho com suas guitarras imaginárias). E eles ainda podem emendar “Bargain" e "Behind Blue Eyes", com a segunda reservada para aquela hora em que as luzes dos celulares tomam conta do estádio para um coro emocionado - os caras ainda brincam ao lembrar que não se trata de uma canção do Limp Bizkit, que a regravou quase 40 anos depois do lanaçemento. “Join Together” e “You Better You Bet” vieram logo após, mantendo todo mundo embalado. 

Já “Quadophenia”, de 1973, ganha destaque por meio de uma sequência três músicas. Primeiro vem “I’m One” nos vocais de Pete. Depois a instrumental “The Rock”, com direito a imagens de momentos históricos e uma homenagem aos outros dois músicos originais da banda: Keith Moon e John Entwistle, que morreram, respectivamente, em 1978 e 2002. “Love, Reign O’er Me” encerra esta parte com uma nota alta que provoca um frenesi generalizado. 

Pete ainda retornou aos vocais para “Eminence Front” e “Amazing Journey” abriu caminho para o segmento dedicado à ópera-rock “Tommy”, importante por ser a primeira do Who e assim denominada na história. O momento foi coroado com o mega hit "Pinball Wizard" e toda a vibração causada por ele. Na reta final, o Who executa duas canções que fazem parte de sua essência: a icônica “Baba O’Riley”, que é de arrepiar do início ao fim catártico, e "Won't Get Fooled Again", com direito ao grito final de Daltrey. Numa espécie de bis após Pete e Roger apresentarem todo o grupo, porém sem sair do palco, eles tocam ainda "5:15", outra de “Quadrophenia”, e a emblemática "Substitute", um dos grandes sucessos da primeira fase da carreira. 

Neste passeio histórico para não se botar defeito, o The Who é a prova que longas esperam podem valer a pena. E se a estreia também teve clima de despedida – Pete já anunciou um ano sabático e tudo mais - , não teve problema: a lenda vive e viverá pra sempre com suas canções. “Who”, “Who”, “Who”, como ecoou no Beira-Rio. 

Def Leppard também celebra trajetória 

Se a noite era histórica pelo The Who, o Def Leppard não poupou esforços para também estrear na Capital deixando sua marca. A apresentação de pouco mais de uma hora percorreu os 40 anos de trajetória do grupo e valorizou os álbuns “High 'n' Dry” (1981), “Pyromania” (1983) e “Hysteria” (1987). Neste clima mais oitentista, o quinteto trouxe sucessos como “Animal”, “Let it Go” e “Love Bites” logo no início da apresentação. 

O frontman Joe Elliott comandou o show ao lado das potentes guitarras de Phil Collen (sem camisa ostentando sua ótima forma física no alto dos seus 59 anos) e Vivian Campbell e do baixo de Rick Savage. Mas o mais ovacionado foi o baterista Rick Allen, que perdeu o braço esquerdo em 1985 em um acidente de carro e toca com uma bateria adaptada. No ponto mais alto e fundo do palco, ele não se poupa nos solos e agradece o público sempre com um sinal de “paz e amor”. 

Seguindo o setlist que mostraram no Rock in Rio e no São Paulo Trip, eles tocaram “Armageddon It”, foram acompanhados de palmas da plateia em “Man Enough” e seguiram com “Rocket”. Os excelentes vocais ganharam destaque em canções como “Bringin’n on the hearthbreak” e “Pour Some Sugar On Me”, e a cada nova canção executada a técnica dos músicos era exaltada. Enquanto o telão ditava o ritmo do espetáculo, explorando preferencialmente as cores da bandeira da Inglaterra (que apareciam também na roupa e na bateria de Allen, no tecido preso ao pedestal de Elliott e tantos outros elementos), não faltou espaço para “Hysteria”, “Let’s Get Rocket” e “Rock of Ages”. Para encerrar, eles escolheram “Photograph", do álbum “Pyromania”, que foi acompanhada em alto estilo por fotos de diversos momentos da carreira.

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