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Cuide do seu rim

01/11/2017 | 13h06 - Fonte: Foto: Divulgação
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Por Ana Beatriz Barra
Nefrologista, gerente médica da Fresenius Medical Care

Quem tem mais de 40 anos provavelmente já fez pelo menos uma visita ao cardiologista. Quem leva uma vida estressante e está acima do peso possivelmente já começou essas visitas antes mesmo dessa idade. A ampla divulgação da prevenção de doenças cardíacas tem contribuído muito para o aumento da longevidade dos brasileiros. A nossa expectativa de vida subiu de 62,5 anos em 1980 para 75 anos em 2016, o que é um resultado intermediário na avaliação da Organização Mundial de Saúde (OMS). Estamos numa posição superior, por exemplo, a países como Paraguai e Bolívia; mas atrás de Uruguai, Chile e Cuba. Em países como Japão e Suíça essa idade está em 83 anos.

Infelizmente o mesmo cuidado e atenção com o coração não se observam em relação aos rins. Muitas vezes quando o paciente descobre uma doença renal já desenvolveu um quadro crônico, e haverá necessidade de transplante e tratamentos que substituem a função dos rins, como a hemodiálise e a diálise peritoneal.

Como se trata de uma doença silenciosa é difícil estabelecer um protocolo de sintomas que identifiquem o início de uma doença renal. A prevenção nesse caso passa principalmente por evitar outras doenças que estão associadas com a doença renal, como a hipertensão, o diabetes e a obesidade.

Voltando aos rins; o que os maiores especialistas no assunto buscam é a incorporação por outros especialistas de rotinas de avaliação da função renal: a mensuração da creatinina e da ureia ao exame de sangue dos pacientes, e a realização de um EAS, que é um exame simples de urina. Assim, o nefrologista poderia ser rapidamente acionado e a doença renal crônica evitada.

É nosso dever usar todos os espaços para alertar a população dos cuidados com esse órgão que – assim como o coração - tem uma missão fundamental para a manutenção da vida: é o rim que filtra todo o nosso sangue diariamente e elimina as toxinas do nosso corpo. Quando ele para de funcionar, é preciso conectar a pessoa a uma máquina pelo menos três vezes semana, em sessões de 4 horas, no caso da hemodiálise.

No Brasil cerca de 111 mil pacientes fazem diálise e a estimativa é que mais de 30 mil novas pessoas passem a precisar do tratamento todos os anos. Essa deveria ser uma terapia transitória. O resultado dessa conta complexa é que 20 mil pacientes em diálise morrem por ano. 
As clínicas que oferecem o tratamento – 68% delas concentradas no Sul e Sudeste do país - são 70% privadas, embora a maioria seja custeada pelo Sistema Único de Saúde, e estão com taxa de ocupação de 85%, de acordo com o último censo da Sociedade Brasileira de Nefrologia.

É fato que o tratamento vem evoluindo ao longo dos anos e a chegada de novas terapias como a hemodiafiltração de alto volume representa um alento. A terapia acaba de ser trazida da Europa para o Brasil e já está atendendo 1% dos pacientes crônicos com ótimos resultados para o bem-estar geral do paciente. Mas ao pensar na equação entre qualidade de vida e longevidade a medicina preventiva tem se mostrado como a melhor prática.

Dê atenção ao seu rim. Ele pode estar carente de cuidados. 

** Esse artigo saiu na Revista O Flu, do jornal O Fluminense, no dia 15/10/2017.

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