Nesta terça-feira (7), o programa Encontro 9.9, da BJ Rádio Web, sob o comando do comunicador Juares da Luz, entrevistou Eduardo Silva, presidente do PT de Camaquã. Durante a conversa, ele falou sobre o Bolsa Família e defendeu a importância do programa social do governo federal para famílias em situação de vulnerabilidade.
Eduardo afirmou que é necessário desmistificar a ideia de que o Bolsa Família faz com que as pessoas deixem de trabalhar. Segundo ele, o programa não gera “vagabundos”, como muitas vezes é dito por críticos, mas funciona como um complemento de renda para famílias que enfrentam dificuldades para acessar o mercado de trabalho e conquistar um emprego formal.
De acordo com os dados apresentados por Eduardo, em Camaquã a média paga pelo programa é de aproximadamente R$ 670 por mês. Ele destacou que o benefício representa uma ajuda necessária para muitas famílias e que os valores repassados têm impacto direto na economia local.
Conforme Eduardo, foram destinados a beneficiários de Camaquã, por meio do Bolsa Família, R$ 23 milhões em 2022, R$ 42 milhões em 2023, R$ 40 milhões em 2024, R$ 33 milhões em 2025 e R$ 12 milhões até maio de 2026. Para ele, esses recursos circulam no próprio município, especialmente em mercados, farmácias e no comércio em geral.
“Imagina se não tivéssemos esses recursos circulando no comércio local. Ou acham que a pessoa que recebe o Bolsa Família vai gastar no shopping de Porto Alegre? Não vai. Vai gastar no mercadinho do bairro, no comércio aqui da cidade”, afirmou.
Eduardo também ressaltou que a economia local já enfrenta dificuldades, especialmente em razão dos problemas na agricultura, e que a circulação desses recursos contribui para amenizar os impactos no município.
Durante a entrevista, o presidente do PT de Camaquã defendeu a transferência de renda por meio de programas sociais com contrapartidas, como a exigência de manter os filhos na escola e o cumprimento de outros requisitos. Ele lembrou ainda que a fiscalização e a seleção das famílias cadastradas são realizadas pelos municípios.
Eduardo citou um estudo da Fundação Getulio Vargas sobre “os filhos do Bolsa Família”, que analisou pessoas que eram crianças em famílias beneficiárias do programa. Segundo ele, o levantamento aponta que 60% desses adultos têm filhos que não dependem do Bolsa Família.
“O ciclo de pobreza da família foi cortado, pois tiveram que frequentar a escola”, disse. Conforme Eduardo, isso não significa que essas pessoas tenham se tornado ricas, mas que conseguiram sair da miséria.
Ele também destacou que esse processo é fortalecido por outras políticas públicas, como o Prouni, que amplia o acesso à formação superior. Ao final, Eduardo defendeu que a sociedade tenha mais empatia ao tratar do tema.
“Precisamos ter um pouco mais de empatia, de nos colocar no lugar do outro e entender as suas necessidades”, afirmou.
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